quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Pra quem já nasceu de mãos bem algemadas!

Queria sentar na calçada de uma rua bem fria e movimentada
Olhar nos olhos de quem me matou.
Eu iria até o inferno para me sentir vivo.
Aqui é tudo imóvel, estático.
Minha alma tirou férias de mim, quando nasci.

A paz mundial chegou! Veio naquele corpo apodrecendo.
O herói já salvou. E agora espera o momento para destruir.
A fome acabou. Só os pobremente suficientes morrem dela.
O amor cura. Os doentes que se apegam as lorotas politisentimentalistas.

Um dia sonharei com cachorros defecando em uma grama bem verde.
É que as grades chegam a arder os olhos. Mas quando os fecho, queimam.
Sem chance de se por no lugar de deficientes visuais.

Mas não elegi ninguém!
Eu já nasci preso. E aqui não há bom comportamento, nem recursos que me liberte.




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